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TRAIL X ASFALTO – ASPECTOS DE TREINAMENTO

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TRAIL X ASFALTO – ASPECTOS DE TREINAMENTO

Por Emílio Santana

Estamos nos acostumando com confrontamentos e preferências entre roadrunners e trailrunners, como em torcida de futebol ou discussão de política partidária, o que realmente não pretendo fazer nessa estréia no Go On Outdoor, preferirei um papo mais cabeça.

Contemplando a realidade modesta do que sabemos enquanto atletas amadores, e de um país com pouquíssima tradição e profundidade no atletismo,  essa posição rasa que não se aprofunda por mais horas de pesquisa em perfis de Instagram, Facebook ou vídeos no Youtube, mas poderá ser transformada por anos de vivência, bons eventos, investimento financeiro e resultados expressivos construídos com muito trabalho e pesquisa; gostaria de clarear alguns posicionamentos, fazendo saber que em alto nível, corrida de rua, trailrun e cross-country não são mais que metodologias que auxiliam os grandes atletas a desenvolverem a plenitude de suas qualidades, assim como preservar condicionamento e estrutura física.

Corredores de meio fundo até maratonas usam as trilhas no auge nas temporadas, para incrementar força, evitar impacto, ativar propriocepção (proporcionando maior segurança contra lesões) e preservar tornozelos, joelhos e quadris; Esquiadores correm nos trajetos degelados no verão para manter o condicionamento e manter as vias vivas na memória; trailrunners fazem treinos intervalados em pistas de atletismo para melhorar a biomecânica da corrida, potência e velocidade. Tudo isso enquanto trocamos memes provocativos entre corredores de rua e de trilha.

Para nós trailrunners conselhos já batidos na transição asfalto-trilha como esqueça o pace, corra por tempo e não por distância ou corra com a cabeça (mindfull) poderiam dar um enorme artigo, mas já estão batidos será? De qualquer maneira escolhi abrir essa discussão com 4 pontos a seguir:


  1. Dureza do terreno

Do ponto de vista de impacto é muito importante contemplar algumas diferenças que podem levar até a salvar uma temporada de lesões ou permitir alguma autonomia a atletas com lesões degenerativas em regiões axiais onde a redução do impacto e da relação força-peso x normal serão determinantes.

podemos escalonar os terrenos em relação à sua dureza a partir da sua composição:

Areia de praia > terra viva (não solapada) > terra com cobertura (serrapilheira) > gramado > terra batida (estrada ou trilha) > pavimento (paralelepípedo, pedras ou pavi-s) > asfalto > concreto.

Sabida essa relação pode-se prever impacto e influência da força-normal na estrutura muscular; treinadores, fisioterapeutas e ortopedistas saberão o que fazer com essa informação.

2) Biomecânica

Do ponto de vista biomecânico, quanto mais exigente o terreno, maiores recursos de propriocepção e requisitos técnicos referentes à pisada e passada serão utilizados para sustentar o deslocamento eficaz, mesmo que involuntariamente. Na prática: correr no asfalto proporciona um grip que aproveita muito mais o empuxo da passada em relação ao grip da estrada de terra; na estrada de terra é possível usar o mínimo de elevação dos pés em relação ao solo, o que não será suficiente para correr eficientemente num pasto com 15cm de altura; trilhas sujas requerem maior eficácia na passada para se livrar de cipós e pedras e mato alto do que o gramado. O resultado é que mesmo sem um direcionamento técnico específico haja uma melhora da economia de corrida ou por exemplo dos fundamento do pose running, conceitos importantes para o rendimento, o que na minha opinião torna a evolução técnica menos massacrante e até lúdica.

3) Paisagem

A paisagem da corrida de rua é um corredor cinza-escuro, com um espaço para uma tela num dos cantos inferiores, além do mundaréu de gente e do portal nas largadas e chegadas; aceite, conheço muita gente que se realiza apenas com essa sensação; aprendi a respeitar.

No Trailrun, há uma variedade de tonalidades do piso e da vegetação, tem gente e bichos, arquitetura rústica e veículos dignos de novelas de época; pasto, trilha aberta, trilha fechada, terreno rochoso, costões,  agulhas de pedra, praias selvagens, rios, lagos, plantações, e muito horizonte, mares de morros e nuvens; é para mim um dos atrativos maiores na modalidade, e não se recrimine se alguma vez você pare de correr, caminhar para ver melhor, e até parar para uma foto com os olhos marejados e o fôlego meio ausente.

4) Trilha sonora

Ainda vemos muita gente com um pé no asfalto e outro na trilha nas provas de Trailrun; não que isso seja ruim, como mencionei no início do artigo, mas ainda não conseguimos nos situar na característica de cada modalidade, levamos algo daqui para ali. como a mochila de hidratação da trilha para o asfalto e os fones de ouvido da rua para a natureza. É sabido das qualidades do beat musical desde a marcação do ritmo da passada até a influência na frequência cardíaca e na liberação de endorfinas e adrenalina.

Eu sou um cara basicamente musical, penso por letras de músicas, estou sempre cantarolando algo na cabeça, trabalhei anos com ginástica e o corpo também funciona por música, tenho altas playlists… mas gente, o som da natureza é muito legal: o vento, os insetos, os pássaros, cada lugar com sua sinfonia diferente; e ainda tem o nosso som, a pisada, a respiração, é uma conexão fantástica dos sentidos com o ambiente, e olha que só falamos aqui de visão e audição. Certa vez, ainda de fones de ouvido, não ouvi os sinais do corpo e fui à exaustão antes do meio de uma corrida de 27km, a partir daí decidi ir diminuindo o som para um nível que pudesse escutar a música e a corrida, e tem tempo que não tenho usado qualquer música que não seja a própria trilha sonora disponível in loco.

Essa é a ambientação para tentarmos iniciar uma discussão sobre fundamentos do treinamento desportivo para a corrida de rua e o trailrun, por hora vamos pensando nisso posto e ainda na possibilidade que o Trailrun oferece tanto de fugir de alguma forma da forma massiva de rendimento que já foi sinônimo de corrida no asfalto como  de realizar no offroad rendimento, velocidade e competitividade, pois tudo é paradoxo! UP!

No Trailrun, há uma variedade de tonalidades do piso e da vegetação, tem gente e bichos, arquitetura rústica e veículos dignos de novelas de época;

 

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